Oi pessoal!!
Conforme prometido ontem, segue a parte final do diagnóstico
da minha bendita diabetes!
Chegamos no hospital pouco mais de meio dia, e adivinhem?
Estava BOMBANDO!! Eu mal conseguia parar em pé e só pensava “esse povo com
resfriado vindo no médico pegar atestado pra faltar no trabalho e eu aqui
prestes a morrer tenho que ficar esperando..”.. Fiquei sentada enquanto meu pai
dava entrada na minha papelada no atendimento de emergência e já pediu pra me
passarem na frente porque eu estava muito mal, e acho que a recepcionista nem
hesitou mesmo em me passar na frente, porque era só olhar pra minha cara e ver
que tinha alguma coisa seriamente errada! Um enfermeiro veio me buscar com a
cadeira de rodas e me levou pra uma salinha pra esperar pelo médico com o meu
pai.. deitei na maca porque nem sentada eu conseguia ficar mais.. O médico
chegou, mediu pressão e começou a anotar todos os meus sintomas... Pegou um
aparelho (o tal do glicosímetro, que depois viria a se tornar meu melhor amigo
e companheiro de aventuras) e uma agulhinha e furou meu dedo pra medir a
glicemia... E aí o número mais assustador que eu já tinha visto e nunca mais
vou esquecer: 418!
Sem nem piscar o médico já falou “É diabetes”. Nem sei o que
eu pensei na hora, acho que não levei muito a sério, não tem nem como cair a
ficha na hora com uma informação dessas! Me levaram pra aquela bendita sala pra
tomar medicamento.. 912 mil litros de soro + insulina na veia. A essa altura, de
acordo com o meu pai, eu estava cadavérica, parecendo com a Bela do Crepúsculo
quando fica grávida do vampiro e morre/quase morre (isso não conta como
spoiler, né?).
A partir desse momento tinha começado a festa da agulha!
Começaram a tirar sangue, fazer exame de urina, e eu lá, ainda me sentindo
péssima e morrendo de frio! Fiz até meu pai tirar a meia dele e dar pra mim,
coitado!
 |
| Braço bonito depois de algumas tentativas frustradas de encontrar minhas veias. |
.PNG) |
| Bracinho esquerdo após alguns ataques de vampiro. |
Longas horas depois, chegou um outro médico pra falar com a gente, e
aí seguiu uma das conversas mais aterrorizantes da minha vida:
Médico – Olha Thaís, sua situação foi realmente muito grave,
o ph do seu sangue estava muito baixo e por pouco você não entra em coma.
Thaís e pai – :O
Médico – Vamos ter que internar você na UTI.
Thaís e pai – OI,QUÊ?????? UTI???? Pera aí, precisa disso
mesmo?
Médico – Sim, a situação foi realmente muito grave.
Médico fala isso, vira as costas e vai embora! Como você
fala pra uma pessoa que ela quase entrou em coma e precisa ir pra UTI e não faz
nem um carinho na cabeça depois? Obviamente comecei a chorar desesperadamente, não aguentei mais segurar e desabei, pra mim foi o mesmo que falar que eu
estava a beira da morte! Depois me levaram já pra sala de pré-internação pra esperar
um leito vagar na UTI e fazer o pior exame da face da terra: GASOMETRIA. Sério,
nunca tive problemas com agulhas, tirar sangue e tal... Mas NOSSA COMO ESSE
EXAME DÓI!!!! É basicamente um exame de sangue, mas não tiram sangue da sua
veia, e sim da artéria, sabe aquele lugar no seu pulso...QUE PULSA??? Ohhhh meu
pai!! Ninguém merece!!
.PNG) |
| Um dos "furinhos" da gasometria. |
Lá pelas 21h e tantas da noite subi pra UTI, minha glicemia
tinha baixado pra uns 300 e pouco, e me falaram que eu deveria ficar internada
por 1 ou 2 dias, até estabilizar. Me colaram os benditos eletrodos e finalmente
fiz minha primeira “refeição” das últimas 24h. Fiquei um pouco mais calma,
decidi não pensar sobre tudo que estava acontecendo e descansar, me achei
merecedora do soninho! Os enfermeiros da UTI eram mega atenciosos e legais,
devem ser treinados pra isso, já que eles tratam basicamente de gente que tá
atolada de problemas, né...
 |
| O primeiro acesso da internação a gente nunca esquece... |
 |
Pura saúde essa refeição ahahahha
|
Minha paz acabou na mesma madrugada, quando descobri que a
rotina de UTI era uma bosta ahahha eles te acordam sem dó nem piedade no meio
da madrugada pra tirar chapa, fazer exame de sangue, etc.. Mas ok, melhor que
ficar sem cuidados! Os dias que se seguiram foram puro martírio, a primeira vez
que meus pais foram me visitar eu só queria saber de chorar, quando a
nutricionista passou e entregou meu primeiro cardápio de diabético eu chorei
mais ainda, simplesmente eu nunca mais ia comer nada. Ia viver de pão e água! OPA,
nem pão, porque pão tem carboidrato e carboidrato se transforma em açúcar!!! SOCORRO BRASIL!! Só pensava que eu não
teria mais vida social, já que ela se resumia a sair pra comer! E a comida
mexicana?? E a comida japa?? Nada?? Nunca mais?? Pro resto da vida??
Nessa hora bate aquela tristeza profunda.. A gente pensa “o
que eu fiz pra merecer isso?” ou “tem tanta gente ruim no mundo, porque justo
comigo?”... Aí bate aquela raiva, aquele sentimento de injustiça.. Mas estando
em uma UTI você percebe que tem gente sofrendo e passando por coisas muito
piores que você, e isso te dá forças pra tentar tirar o melhor (ou o menos pior)
da situação, e tentar sorrir, fazer piada sobre a sua nova condição, voltar a
ser a pessoa que você sempre foi.
No total foram 4 dias de UTI e 4 dias no quarto do hospital.
No quarto tive meu primeiro contato com a endócrino, a médica que tenho visto
uma vez por semana até estabilizar tudo e depois visitarei em média a cada três
meses. Aí comecei a aprender um pouco mais sobre a doença e perceber que a
coisa toda não é tão assustadora quanto parecia naquele meu primeiro dia de
hospital, e aí você descobre que o pior de tudo nem são as hiperglicemias, mas
sim as hipoglicemias que são super perigosas (mas isso já é assunto pra outro
post).
Nem tenho palavras para agradecer a minha família e amigos,
não sei o que teria feito nesses dias de hospital se não fosse a força e apoio
de todo mundo. É uma luta diária que se tornaria impossível sem ter todo esse
suporte.
 |
| Bombando de camisola de hospital no Instagram. |
Chega de texto por hoje, né? Pelo menos teve umas
ilustrações hahahahha...
Amanhã conversamos mais!
Beijos,
Thaís